MUNICÍPIO DECRETA SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA POR CAUSA DA ESTIAGEM
MUNICÍPIO DE SANTO CRISTO DECRETA SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA POR CAUSA DA ESTIAGEM
Publicado em 02/03/2026
às 18:36
Por meio do Decreto nº 24, de 2 de março de 2026, o prefeito Charles Thiele decretou situação de emergência em razão da estiagem prolongada no município. A decisão foi tomada após reunião realizada na Secretaria do Desenvolvimento Rural e Agronegócio, com a participação de integrantes da Defesa Civil municipal, Coopermil, Cotrirosa, Emater, Tchê Milk e Doceoli, ocasião em que foi apresentado um levantamento sobre a situação atual do município.
O mês de janeiro de 2026 iniciou-se com altas temperaturas e baixa precipitação, registrando-se apenas chuvas esparsas, insuficientes para as atividades agrícolas e pecuárias do município. Do dia 10 de janeiro até o momento, a precipitação média acumulada foi de 135 mm, índice que caracteriza período de estiagem ou escassez hídrica.
Área urbana – As altas temperaturas neste período provocaram aumento considerável do consumo de água pela população.
Área rural – Assim como na área urbana, as altas temperaturas elevaram o consumo de água. Observa‑se, ainda, redução da vazão dos poços e das vertentes que abastecem as redes de distribuição de água potável no interior, o que tem deixado comunidades sem abastecimento durante parte do dia. Na Vila Sírio, por exemplo, a Prefeitura tem transportado diariamente 30 m³ de água em caminhão‑tanque para suprir o abastecimento. Há registros de problemas semelhantes em outras localidades.
Produção de subsistência – A produção de hortaliças pela agricultura familiar está sendo bastante prejudicada pela escassez de chuvas aliada ao calor excessivo; praticamente não há mais culturas de subsistência, mesmo nas áreas irrigadas.
Produção de leite – Empresas que processam leite no município, como Tchê Milk e Doceoli, estimam redução de aproximadamente 9% na produtividade, refletida na queda do recebimento de leite nesse período. O custo de produção aumenta devido à necessidade de irrigação e ao acréscimo no fornecimento de ração e de alimento conservado (silagem).
Gado de corte – A alimentação do gado de corte baseia‑se em pastagens, nativas ou cultivadas. Em áreas de solo mais raso, observa‑se desenvolvimento estagnado das pastagens e, em muitos casos, mortalidade de plantas.
Piscicultura – Há mortalidade de peixes em diversos açudes, especialmente os de menor profundidade, em razão do aumento da temperatura da água e da redução da oxigenação.
Suinocultura e avicultura – Registram‑se perdas na produtividade por estresse térmico, repetição de cio e abortos em matrizes, além de problemas de dessedentação devido às dificuldades no abastecimento de água.
Soja – Praticamente todas as lavouras apresentam perda por estiagem. A maioria das áreas de soja foi semeada após 15 de novembro e enfrentou intempéries no início do ciclo (principalmente entre 15 e 25 de novembro), quando houve excesso de chuvas que prejudicou a germinação e o estabelecimento das plantas. A situação é mais crítica nas áreas entre o final do desenvolvimento vegetativo e o início do enchimento de grãos, especialmente nas de menor profundidade de solo. A expectativa inicial era de 3.600 kg/ha; estima‑se uma perda de 40%, com produção estimada em 36 sacos por hectare, com tendência de agravamento. Atualmente, a cultura apresenta 2% em maturação, 70% em enchimento de grãos, 18% em floração e 10% em desenvolvimento vegetativo.
Milho para silagem – Estimam‑se ainda 1.800 ha de milho safrinha em campo, área que vem acumulando perdas devido às chuvas excessivas no início do ciclo e, agora, à escassez hídrica e às altas temperaturas. A expectativa atual é de 28 toneladas de silagem por hectare (redução de 30%); a expectativa inicial era de 40 t/ha.
Considerando a análise dos impactos da estiagem prolongada, a manifestação favorável da Defesa Civil municipal e a previsão de poucas chuvas reparadoras para as próximas semanas, foi decretada a situação de emergência. A gestão municipal buscará, a partir de agora, medidas junto ao Estado e ao Governo Federal para amenizar os prejuízos, especialmente dos produtores, destacou o prefeito.
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